
Hiroshima
Estou atrasado, mais uma vez
Vou correr e ver se pego o trem.
Que dia mais lindo
Ouço os pássaros cantando
As crianças no parque com seus pais
Os carros não correm pelas ruas
Hoje posso olhar a beleza das cerejeiras
Que balançam com o vento suave da primavera
Mulheres lindas andam pelo parque a me paquerar
A vida nunca foi mais bela
Porque hoje é sábado
Estou... onde estou?
Ouço o choro das crianças órfãs
Vejo o horror no rosto da gente
Vejo as meninas ficando cegas
Hoje posso olhar tudo virando cinzas
Que são levadas pelos ventos atômicos
Mulheres mortas no chão a me olhar
Mas aqui é o inferno?
Vejo o cogumelo no centro da cidade
E só sobrou minha consciência
Para contar o dia mais belo da terra.
Ricardo D'addio